Como saí do escritório e virei um nômade digital

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Em junho, vou passar um mês na Colômbia como um “nômade digital”.

Muita gente ainda não sabe o que é um nômade digital, estilo de vida que está cada vez mais popular. Resumindo com minhas próprias palavras:
Nômade digital é alguém que vive de um trabalho pela internet e, portanto, não precisa de um lugar fixo para viver, podendo trabalhar de qualquer lugar.

Como não está vinculado a um escritório ou outro tipo de espaço físico pra fazer suas funções, os nômades digitais podem ir e vir para vários lugares, dependendo na maioria das vezes apenas dos seus próprios notebooks e de uma conexão com a internet. E assim levam a vida. Alguns viajam por diversos países e trocam de cidade a cada mês. Outros preferem ficar no mesmo lugar por bastante tempo antes de se aventurar em outro destino. O grande espírito de viver assim é a liberdade de viajar quando e pra onde quiser. Em geral, os nômades digitais são seus próprios chefes, fazem seus próprios horários e gostam – e muito – de viajar.

Nômades digitais - trabalhar a distância
TODOS os nômades digitais trabalham assim. Mentira. Claro que não é assim. Mas é o que alguns pensam.

Como virei um nômade digital

Meu caso é um pouco diferente. Não sou escritor, programador ou designer freelancer, como grande parte dos nômades digitais. Mas minha vida recentemente tem se moldado um pouco em volta do mesmo tipo de vida que essas pessoas levam. Deixa eu explicar como isso começou pra mim.

Eu morava na China há quase 2 anos e já tinha planos para vir embora. Minha mulher não estava muito feliz e continuar morando por lá não era uma opção muito viável. Tínhamos nossa passagem de volta para o Brasil comprada e tudo estava certo para a nossa volta. Mas havia um pequeno detalhe me deixando em cima do muro sobre ir embora.

Meses antes, eu havia largado meu emprego numa empresa de comércio exterior. Não estava feliz por lá e depois de pensar muito resolvi pedir as contas. Tinha resolvido que se fosse pra trabalhar em um escritório, seria numa área que eu gosto. E do que eu gosto? Futebol e videogames. Pois bem. Com muita procura e um pouco de sorte, acabei conseguindo um emprego numa empresa de games lá na China. Longe de ser o trabalho dos sonhos, eu de repente me vi trabalhando com jogos de computador. Meu primeiro dia de trabalho foi literalmente ficar 8 horas jogando os jogos da empresa para me familiarizar. Cheguei em casa naquele dia e falei pra minha mulher: “tô sendo pago pra jogar videogame”. Tava feliz.

Na hora de ir embora da China, estava há apenas 6 meses na empresa e naturalmente teria que pedir demissão. Acontece que eu não queria. Queria ir embora da China, mas não queria sair da empresa. Tava trabalhando com videogames, porra! E isso me preocupou durante bastante tempo. Até que tive uma ideia: “é bem improvável que eles aceitem, mas por que não pedir para trabalhar a distância?”.

Nômades digitais - aproveite sua chance
Parece clichê, mas temos que aproveitar nossas chances. Se não tiver, crie uma.

Eu tinha uma boa relação com o meu chefe e pra minha surpresa ele topou na hora! Na verdade o meu trabalho envolvia muito pouco contato cara-a-cara e deixei isso claro pro meu chefe quando fiz a proposta. O que argumentei, e que ele sabia bem, é que se eu quisesse poderia ficar as minhas 8 horas de trabalho no escritório sem falar pessoalmente com ninguém. Fora algumas poucas reuniões de departamento ou papos que são mais fáceis de se ter pessoalmente do que pela internet, meu trampo exigia pouco contato pessoal. E foi assim que comecei a trabalhar remotamente.


O início como nômade digital

Minha saída da China não era direto para o Brasil. Quando comprei a passagem, fiz de um modo que minha “escala” em Londres demorasse 1 mês. Assim, teria tempo pra fazer o tão sonhado “mochilão” na Europa. E lá fui eu. Durante 1 mês, visitei Inglaterra, Áustria, Alemanha, Hungria, Polônia e Holanda assim, trabalhando de longe. Fora um ou outro perrengue com internets capengas em hostels, não tive maiores problemas. Foi minha primeira experiência como um nômade digital, pingando de lugar em lugar, turistando adoidado, mas sem deixar de fazer o meu trabalho e ganhar minha grana.

Nômades digitais - viajar e trabalhar ao mesmo tempo
Fiz uma pesada visita à Auschwitz durante o dia. À noite, trabalhei.

Claro que nem tudo são flores. Trabalhando a distância, perdi alguns direitos de funcionários que tinha anteriormente trabalhando no escritório. A distância, com certeza nunca serei promovido ou poderei me relacionar de forma mais próxima com outras pessoas da empresa. Mas tudo isso compensa pelo lado positivo. Apesar de continuar tendo um chefe e cumprindo horários, faço tudo do conforto da minha casa. Em meus descansos de 5 minutos durante o serviço, posso fazer um café, conversar com minha mulher, tirar o lixo ou até descansar no meu sofá. Não perco tempo nem dinheiro com transporte pro trabalho, pois moro onde trabalho. Os prós e contras do nomadismo digital rendem um artigo gigante por si só, então vou parar por aqui, mas você já tem uma ideia geral do quão diferente é em relação a trabalhar em um escritório.

Parece que foi ontem que saí da China, mas já faz 8 meses que venho trabalhando a distância.

Depois da Europa, não viajei mais. Aliás, de nômade não tive nada durante este período. Inclusive fiquei bem sedentário morando no meu apartamento. Mas agora estou embarcando para a minha segunda aventura de viagem/trabalho. Em junho vou passar 1 mês na Colômbia, enquanto continuo trabalhando. Praias de dia, trabalho à noite. Dá pra conciliar legal. É quase como um período de férias, sem sair de férias.

Nômades digitais - trabalho no Caribe
Caribe:  É pra lá que eu vooou, é pra lá que eu voooou.... ♪ 

Quando conto sobre o nomadismo digital para as pessoas, poucos levam a sério. A verdade é que até hoje crescemos com a cabeça entupida de pré-concepções que a sociedade nos impõe. Casa e carro. Casamento e família. E.... trabalho no escritório, carreira. Mas isso tá mudando. Cada vez mais pessoas buscam estilos de vida alternativos, pois o tédio e infelicidade que algumas dessas pré-concepções nos trazem não devem guiar o jeito como passamos os nossos dias na Terra.


Atualização: escrevi um artigo inteiro sobre alternativas ao trabalho em escritório, confira aqui.

Quando tenho dúvidas sobre se estou fazendo o certo ou não, sempre lembro de algo básico que me guia em muitas decisões: a vida é curta, o que decidi me torna mais feliz, me faz aproveitar mais? Se sim, tá tudo as pampas. Se a resposta for não, aí me preocupo. Claro que isso não é motivo pra chutar o pau da barraca e fazer o que me faz feliz. Todos temos compromissos e poucos conseguem viver 100% do tempo fazendo o que gostam. Mas viajando e trabalhando com jogos... bem, gosto de acreditar que estou no caminho.


Atualização: já pedi demissão deste emprego que comentei no artigo e passei a viver de outra forma. Conto tudo com detalhes aqui.


Mais sobre nômades digitais

Se você se interessou pelo assunto, deixa eu te fazer algumas recomendações:

Nômades Digitais – site que fala muito sobre esse estilo de vida.
Mundo de Viajante – blog da minha patroa que conta, entre outras coisas, um pouco da nossa experiência na China e como ela virou uma nômade digital.
Upwork – site para freelancers. Muita gente trabalha a distância com plataformas como essa.



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3 comentários:

  1. Muito interessante! Esse é um dos meus sonhos e eu espero realizá-lo em breve! Trabalhar de casa e fazer meus próprios horários. A minha área, marketing e social media, ajuda muito. Acho que isso é uma das melhores qualidades de vida! E o que falta pra mim é exatamente o que você mencionou no começo do texto: criar a chance. Obrigado! :)

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    1. Sua área realmente é uma das melhores pra esse estilo de vida, tem muitas oportunidades. Boa sorte, de verdade! E obrigado por comentar! ;))

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  2. Motivacional esse artigo, estou aprendendo a programar para poder ter uma vida de nômade digital, não consigo me encaixar em um lugar fixo, pensei em fazer faculdade, mas tbm não deu certo.

    Conheci o blog através do canal no you tube, que tbm é muito bom!

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